Dados Estatísticos

População: 118.000 habitantes Acessos: BR 153, BR 293 e BR 290
Área de Município: 3.649 Km2 Fundação: 17 de Julho de 1811
   

Distâncias de Bagé a

Porto Alegre: 393km Alegrete: 295km
Bento Gonçalves: 510km Caxias do Sul: 510km
Dom Pedrito: 65km Pelotas: 195km
Rio Grande: 265km Santa Maria: 237km

Fonte: www.bage.rs.gov.br

UM POUCO DE HISTÓRIA...

O atual município de Bagé teve o seu primeiro contato com o homem europeu no final do século XVII, entre 1683 e 1690, quando os padres jesuítas, após fundarem a povoação de São Miguel, um dos Sete Povos das Missões avançaram até a região, estabelecendo uma redução que passaram chamar de Santo André dos Guenoas. Os índios, que os padres pretendiam catequizar, rebeldes em relação aos homens brancos e aos índios missionários, não aceitaram as ações dos padres e destruíram a redução.

Desde então, o município vem servindo de palco para diversos enfrentamentos, como o ocorrido em 1752, quando 600 índios Charruas, comandados por Sepé Tiarajú, rechaçaram os enviados das coroas de Portugal e Espanha que, amparados no tratado de Madri, assinado dois anos antes, regulamentando os limites territoriais dos dois impérios na América do Sul, vieram para estabelecer as fronteiras..

A história de Bagé está diretamente ligada à demarcação das fronteiras brasileiras – e a data de 17 de julho de 1811, é considerada o dia em que o local foi declarado, oficialmente, como um acampamento militar de tropas.

As referências mais antigas que existem sobre a região indicam que era ocupada por índios Charruas. Como não gostavam de portugueses nem de espanhóis, os índios mantiveram a região como uma espécie de zona livre.

Em 1773, D. João José de Vertiz y Salcedo, vice-rei de Buenos Aires, com cinco mil homens, saiu do Prata, atravessou o Uruguai e, chegando aos contrafortes da Serra Geral, construiu o Forte Santa Tecla, do qual ainda existem as ruínas e que em 1776, foi demolido e arrasado em dois combates com as tropas portuguesas que mantiveram a área sob seu domínio.

O quadro se manteve estável até 1811, quando começaram novos conflitos na fronteira com o Uruguai. O comandante da então Capitania, Dom Diogo de Souza, foi encarregado de intervir na fronteira. Saiu com suas tropas de Porto Alegre e deslocou-se para a região.

Um dos grupos que comandava acampou nas margens do Arroio Bagé, no "pé do Cerro de Bagé". Em junho, foi decidido que o exército marcharia para o Uruguai. Mas a expedição só saiu do local no dia 17 de julho, data em que Dom Diogo nomeou Pedro Fagundes de Oliveira como "comandante do Acampamento e Distrito de Bagé". Essa é a data que ficou sendo considerada como a de fundação da cidade.

Embora o exército tenha seguido em frente, o acampamento foi mantido. Já era um núcleo bem organizado, e estava em um local estratégico. A partir dele, a cidade foi se desenvolvendo. Mas ainda enfrentaria algumas dificuldades.

Em 1827, o caudilho uruguaio Lavalleja invadiu a cidade. A partir de 1835, Bagé enfrentaria os problemas causados pela Revolução Farroupilha. Nessa ocasião, grande parte dos moradores fugiu para as estâncias, e a localidade voltou a ser uma espécie de acampamento militar. Sua elevação à categoria de cidade ocorreu em 1853.

Na área do município, o general Antonio de Souza Neto, em violento combate, conhecido como a “Batalha do Seival”, derrotou as forças legalistas e, no dia seguinte, proclamou a República Riograndense.

Na Revolução de 1893, quando os federalistas reagiram à ascensão dos republicanos, Gomercindo Saraiva invadiu o Rio Grande do Sul pelo rio Jaguarão e, no Passo do Salsinho, foi travado o primeiro combate. O município testemunhou combates das Traíras, o “Cerco do Rio Negro” e o “Sítio de Bagé”. No Rio Negro, 300 prisioneiros foram degolados, sem poderem esboçar defesa.

PONTO TURÍSTICOS

No interior do município, onde se encontram grandes extensões de campos, existem alguns acidentes geográficos muito apreciados por montanhistas, que começam a serem explorados pelo segmento de turismo. Entre estes, destacam-se:
- Pedra do Morcego - localizada no Distrito das Palmas, em sua forma piramidal, tem dois profundos sulcos em forma de cruz, chamando a atenção dos visitantes.
- Rincão do Inferno – Situa-se na mesma região, abriga o Rio Camaquã, cercado por grandes pedras, Cerros e matas, que formam labirintos.
- Buraco do Sapateiro - É uma caverna, onde não entram os raios solares e que teria servido de abrigo para um casal de foragidos. Possui nove compartimentos.
Toca - É um extenso e fértil vale cercado de pedras que atingem grandes alturas.
Fazem parte dos atrativos naturais do município, o Cerro do Ouro e o Cerro Partido, ambos às margens do Arroio Candiota.

Arquitetura Urbana
Uma das riquezas do município é a sua arquitetura. Na área urbana, antigos casarões, muitos deles do século passado, dominam a paisagem, constituindo-se em referência de uma época em que os fazendeiros detinham o controle econômico e político absolutos na região. Dentre eles, são destaques e merecem ser visitados:
- CORETO MUNICIPAL
O coreto, inaugurado em 15 de novembro de 1927, servia para apresentação de bandas, peças e teatros e de palanque eleitoral. Ali discursaram Juarez Távora, Ademar de Barros, Jânio Quadros e Juscelino Kubitschek.
- PALACETE DA INTENDÊNCIA MUNICIPAL
Em 16 de fevereiro de 1898, foi lançado o edital para a construção do futuro prédio da intendência municipal, que teria um salão para o Conselho Municipal, uma sala para o Júri, duas salas para cada uma das secretarias: Tesouro, Município e Obras Públicas, ante sala e Gabinete da Intendência, Biblioteca, Secretaria do Sub Intendente, alojamento para a Guarda Municipal, duas prisões e outras pequenas peças indispensáveis ao funcionamento da Intendência.
A planta previa a construção de um edifico de dois pavimentos contendo 14 aberturas para à frente, frontal à praça e 12 aberturas para a General Netto ( atual Juvêncio Lemos ); o Salão de Honra teria 230 m2.
O prédio foi construído durante a Administração Municipal do Major José Octávio Gonçalves e inaugurado em 24 de fevereiro de 1900. A porta principal não é a original; a que existe no local, foi doada por Roberto Magalhães Suñe (proveniente do Uruguai). A antiga foi readaptada no interior do prédio.
- PRAÇA DA MATRIZ - IGREJA MATRIZ DE SÃO SEBASTIÃO
A cidade de Bagé, que nasceu de um acampamento militar, começou em volta da Praça da Matriz. O acampamento militar de 1811, estendeu-se desde a margem do arroio, nas proximidades do “Passo do Príncipe”, até o alto da Matriz, na época centro do acampamento.
- VILA DE SANTA THEREZA
Em torno da Charqueada de Santa Thereza, fundada por Antônio de Ribeiro Magalhães em 1897, surgiu a “Vila de Santa Thereza”. Além da residência de verão da família, a vila abrigava inicialmente cerca de 840 pessoas que trabalhavam nas charqueadas e nas fábricas. A assistência aos trabalhadores era completa: não só habitavam a Vila Operária, como tinham assistência médica e farmacêutica. Além de hospital, a vila tinha casas de material para cerca de 1000 pessoas e luz elétrica (usina independente).
Em época de safra, as duas charqueadas contratavam cerca de 600 homens e abatiam cerca de 100.000 reses. Consumiam, anualmente, mais de 2.500 toneladas de carvão, retiradas das cabeceiras do Rio Negro.
A “Quinta”, com 500m de frente por 400 m de fundos, com vários tipos de frutas e água encanada, destacava-se num cenário que tinha, ainda, um parreiral que garantia a produção de 50 pipas de vinho por ano e um viveiro de aves exóticas, como pavões, codornas, pombos-correio, faisões. Em frente à mansão, via-se um jardim com uma ilha, com lago artificial, onde existiam peixes de diversas cores.
No centro da ilha havia uma espécie de “coreto”, onde as bandas musicais se apresentavam. Partindo da residência em direção ao açude da charqueada, havia uma avenida, com um “túnel de eucaliptos”, denominada “Avenida 6 de outubro” (data do aniversário da Viscondesa).
Seu proprietário recebia personalidades, entre as quais Olavo Bilac, os oficiais da canhoneira portuguesa “Pátria”, que foram recebidos no Porto de Rio Grande; Coelho Neto, Sarmento Belres( aviador português que em 1923 fez a travessia Lisboa-Macau) e muitos outros artistas, políticos e figuras de projeção nacional e internacional .
Entre as diversas melhorias que foram feitas ao longo dos anos, foram introduzidas outras benfeitorias, como adega, padaria, fábrica de gelo, depósito de madeira, fábrica de mosaico e tijolos, forno e cal, com produção diária de 12.000 quilos. Anexo a estas fábricas também havia carpintaria, tanoaria e ferraria.
Havia também, uma esplêndida “quadra” de Tênis, para que, nas horas de lazer, os funcionários desses escritórios cultivassem este belo esporte.

- SOCIEDADE PORTUGUESA DE BENEFICÊNCIA
O prédio da Sociedade Portuguesa de Beneficência, que abriga hoje o Museu Dom Diogo de Souza, erguido para ser um hospital, foi inaugurado em 27 de novembro de 1878.
“É um suntuoso edifício que se assemelha, em seu frontal, com o Palácio de Queluz, em Portugal, lugar onde nasceu e morreu Dom Pedro I . O frontão, que coroa a parte central do frontispício, tem o escudo português barroco e as colunas pertencentes à Ordem Coríntia. O detalhe da coluna do portão de acesso às escadarias reproduz a concha barroca, e as “belas” do coroamento têm a forma de “estante de coro”. O balaustre de escadaria obedece à Ordem Coríntia e no começo do patamar “as belas” são em copas.
As instituições assistenciais, devido as dificuldades que enfrentavam durante sua construção, tinham muitas vezes suas características arquitetônicas alteradas, pois a obra iniciava dentro de um padrão estético e acabava sendo concluída em outro estilo. É o caso deste prédio, que apresenta traços de uma arquitetura colonial, observada nas janelas de guilhotina com caixilhos de madeira e pinázios que delimitam pequenos espaços preenchidos com vidros, diferente das demais partes da fachada que são clássicas, nas colunas de capitel compósito; nas conchas que ornamentam a parte superior das janelas, e barrocas, nos corucheis que coroam os pináculos do portão de entrada. Sendo assim, essas dificuldades financeiras contribuem para esta estética eclética”.

- QUARTEL GENERAL
O projeto do prédio, construído entre 1918 e 1922, é do 1º tenente Dilermando de Assis, casado com Ana de Assis ( ex. mulher de Euclides da Cunha, morto por Dilermando ). Dilermando residiu em Bagé, durante alguns anos, e segundo registros, gostava de abrir a casa para festas e saraus. Construiu vários prédios em Bagé.

- ANTIGA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE BAGÉ
O prédio foi inaugurado em 2 de dezembro de 1884, por ocasião da inauguração da Linha Férrea Bagé - Rio Grande. Em 14 de outubro de 1924, um incêndio destruiu completamente o prédio. No local, sessenta dias depois, foi iniciada a reconstrução da nova Estação Ferroviária, que cumpriu sua missão até mais da metade do século 20.

Na década de 70, quando os trilhos saíram do centro da cidade, a Estação passou a funcionar em Santa Thereza. Desde o início dos anos 80, abriga o Centro Administrativo da Prefeitura de Bagé.

Quanto ao modelo arquitetônico há duas versões: uma que seria réplica de uma casa existente em Bolonha, na Itália, e outra que seria uma réplica de uma casa existente em Paris, próximo ao Magazine " Printemps" ( nas imediações da estação de Metrô - Porte Maillot) que inclusive tem as mesmas duas estátuas de cachorros.

- CASA VERMELHA
Situada à rua 7 de setembro esquina General Netto, foi fundada em 1902, pela firma Affonso Garrastazú & Cia, da qual fazia parte o Sr. Alcebíades Gontan, que a partir de 1915, passou a ser o único proprietário. Era uma das casas de negócios, de maior bom gosto e luxo da época. As roupas vinham diretamente da Europa. Havia artigos para homens, mulheres e crianças, perfumarias, calçados, miudezas, além de secos e molhados. Sua fama acompanhou gerações.

- PALACETE "PEDRINHO OSÓRIO"
Datado do início do século 20, pelo médico Pedro Osório, o prédio foi construído em estilo neoclássico, guarnecido de mármore, vitrais e ferro. Hoje abriga a Secretaria Municipal de Cultura
.

ATRATIVOS CULTURAIS

Fazem parte da história e cultura da cidade, as seguintes referências:
- MUSEU DOM DIOGO DE SOUZA
- IGREJA MATRIZ SÃO SEBASTIÃO
- INSTITUTO MUNICIPAL DE BELA ARTES
- BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL
- CASA DE CULTURA PEDRO WAYNE
- MUSEU DA GRAVURA BRASILEIRA
- FORTE DE SANTA TECLA



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Bagé

Bagé, a Rainha da Fronteira, está localizada na fronteira do Rio Grande do Sul, a 60 km do Uruguai, e constitui-se no caminho mais curto entre Porto Alegre e Montevideo.