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Fonte:
www.bage.rs.gov.br
UM
POUCO DE HISTÓRIA...
O
atual município de Bagé teve o seu primeiro contato com
o homem europeu no final do século XVII, entre 1683 e 1690, quando
os padres jesuítas, após fundarem a povoação
de São Miguel, um dos Sete Povos das Missões avançaram
até a região, estabelecendo uma redução
que passaram chamar de Santo André dos Guenoas. Os índios,
que os padres pretendiam catequizar, rebeldes em relação
aos homens brancos e aos índios missionários, não
aceitaram as ações dos padres e destruíram a redução.
Desde
então, o município vem servindo de palco para diversos
enfrentamentos, como o ocorrido em 1752, quando 600 índios Charruas,
comandados por Sepé Tiarajú, rechaçaram os enviados
das coroas de Portugal e Espanha que, amparados no tratado de Madri,
assinado dois anos antes, regulamentando os limites territoriais dos
dois impérios na América do Sul, vieram para estabelecer
as fronteiras..
A
história de Bagé está diretamente ligada à
demarcação das fronteiras brasileiras – e a data de 17
de julho de 1811, é considerada o dia em que o local foi declarado,
oficialmente, como um acampamento militar de tropas.
As
referências mais antigas que existem sobre a região indicam
que era ocupada por índios Charruas. Como não gostavam
de portugueses nem de espanhóis, os índios mantiveram
a região como uma espécie de zona livre.
Em
1773, D. João José de Vertiz y Salcedo, vice-rei de Buenos
Aires, com cinco mil homens, saiu do Prata, atravessou o Uruguai e,
chegando aos contrafortes da Serra Geral, construiu o Forte Santa Tecla,
do qual ainda existem as ruínas e que em 1776, foi demolido e
arrasado em dois combates com as tropas portuguesas que mantiveram a
área sob seu domínio.
O
quadro se manteve estável até 1811, quando começaram
novos conflitos na fronteira com o Uruguai. O comandante da então
Capitania, Dom Diogo de Souza, foi encarregado de intervir na fronteira.
Saiu com suas tropas de Porto Alegre e deslocou-se para a região.
Um
dos grupos que comandava acampou nas margens do Arroio Bagé,
no "pé do Cerro de Bagé". Em junho, foi decidido
que o exército marcharia para o Uruguai. Mas a expedição
só saiu do local no dia 17 de julho, data em que Dom Diogo nomeou
Pedro Fagundes de Oliveira como "comandante do Acampamento e Distrito
de Bagé". Essa é a data que ficou sendo considerada
como a de fundação da cidade.
Embora
o exército tenha seguido em frente, o acampamento foi mantido.
Já era um núcleo bem organizado, e estava em um local
estratégico. A partir dele, a cidade foi se desenvolvendo. Mas
ainda enfrentaria algumas dificuldades.
Em
1827, o caudilho uruguaio Lavalleja invadiu a cidade. A partir de 1835,
Bagé enfrentaria os problemas causados pela Revolução
Farroupilha. Nessa ocasião, grande parte dos moradores fugiu
para as estâncias, e a localidade voltou a ser uma espécie
de acampamento militar. Sua elevação à categoria
de cidade ocorreu em 1853.
Na
área do município, o general Antonio de Souza Neto, em
violento combate, conhecido como a “Batalha do Seival”, derrotou as
forças legalistas e, no dia seguinte, proclamou a República
Riograndense.
Na
Revolução de 1893, quando os federalistas reagiram à
ascensão dos republicanos, Gomercindo Saraiva invadiu o Rio Grande
do Sul pelo rio Jaguarão e, no Passo do Salsinho, foi travado
o primeiro combate. O município testemunhou combates das Traíras,
o “Cerco do Rio Negro” e o “Sítio de Bagé”. No Rio Negro,
300 prisioneiros foram degolados, sem poderem esboçar defesa.
PONTO
TURÍSTICOS
No
interior do município, onde se encontram grandes extensões
de campos, existem alguns acidentes geográficos muito apreciados
por montanhistas, que começam a serem explorados pelo segmento
de turismo. Entre estes, destacam-se:
- Pedra do Morcego - localizada no Distrito das Palmas, em sua
forma piramidal, tem dois profundos sulcos em forma de cruz, chamando
a atenção dos visitantes.
- Rincão do Inferno – Situa-se na mesma região,
abriga o Rio Camaquã, cercado por grandes pedras, Cerros e matas,
que formam labirintos.
- Buraco do Sapateiro - É uma caverna, onde não
entram os raios solares e que teria servido de abrigo para um casal
de foragidos. Possui nove compartimentos.
Toca - É um extenso e fértil vale cercado de pedras que
atingem grandes alturas.
Fazem parte dos atrativos naturais do município, o Cerro do Ouro
e o Cerro Partido, ambos às margens do Arroio Candiota.
Arquitetura Urbana
Uma das riquezas do município é a sua arquitetura. Na
área urbana, antigos casarões, muitos deles do século
passado, dominam a paisagem, constituindo-se em referência de
uma época em que os fazendeiros detinham o controle econômico
e político absolutos na região. Dentre eles, são
destaques e merecem ser visitados:
- CORETO MUNICIPAL
O coreto, inaugurado em 15 de novembro de 1927, servia para apresentação
de bandas, peças e teatros e de palanque eleitoral. Ali discursaram
Juarez Távora, Ademar de Barros, Jânio Quadros e Juscelino
Kubitschek.
- PALACETE DA INTENDÊNCIA MUNICIPAL
Em 16 de fevereiro de 1898, foi lançado o edital para a construção
do futuro prédio da intendência municipal, que teria um
salão para o Conselho Municipal, uma sala para o Júri,
duas salas para cada uma das secretarias: Tesouro, Município
e Obras Públicas, ante sala e Gabinete da Intendência,
Biblioteca, Secretaria do Sub Intendente, alojamento para a Guarda Municipal,
duas prisões e outras pequenas peças indispensáveis
ao funcionamento da Intendência.
A planta previa a construção de um edifico de dois pavimentos
contendo 14 aberturas para à frente, frontal à praça
e 12 aberturas para a General Netto ( atual Juvêncio Lemos );
o Salão de Honra teria 230 m2.
O prédio foi construído durante a Administração
Municipal do Major José Octávio Gonçalves e inaugurado
em 24 de fevereiro de 1900. A porta principal não é a
original; a que existe no local, foi doada por Roberto Magalhães
Suñe (proveniente do Uruguai). A antiga foi readaptada no interior
do prédio.
- PRAÇA DA MATRIZ - IGREJA MATRIZ DE SÃO SEBASTIÃO
A cidade de Bagé, que nasceu de um acampamento militar, começou
em volta da Praça da Matriz. O acampamento militar de 1811, estendeu-se
desde a margem do arroio, nas proximidades do “Passo do Príncipe”,
até o alto da Matriz, na época centro do acampamento.
- VILA DE SANTA THEREZA
Em torno da Charqueada de Santa Thereza, fundada por Antônio de
Ribeiro Magalhães em 1897, surgiu a “Vila de Santa Thereza”.
Além da residência de verão da família, a
vila abrigava inicialmente cerca de 840 pessoas que trabalhavam nas
charqueadas e nas fábricas. A assistência aos trabalhadores
era completa: não só habitavam a Vila Operária,
como tinham assistência médica e farmacêutica. Além
de hospital, a vila tinha casas de material para cerca de 1000 pessoas
e luz elétrica (usina independente).
Em época de safra, as duas charqueadas contratavam cerca de 600
homens e abatiam cerca de 100.000 reses. Consumiam, anualmente, mais
de 2.500 toneladas de carvão, retiradas das cabeceiras do Rio
Negro.
A “Quinta”, com 500m de frente por 400 m de fundos, com vários
tipos de frutas e água encanada, destacava-se num cenário
que tinha, ainda, um parreiral que garantia a produção
de 50 pipas de vinho por ano e um viveiro de aves exóticas, como
pavões, codornas, pombos-correio, faisões. Em frente à
mansão, via-se um jardim com uma ilha, com lago artificial, onde
existiam peixes de diversas cores.
No centro da ilha havia uma espécie de “coreto”, onde as bandas
musicais se apresentavam. Partindo da residência em direção
ao açude da charqueada, havia uma avenida, com um “túnel
de eucaliptos”, denominada “Avenida 6 de outubro” (data do aniversário
da Viscondesa).
Seu proprietário recebia personalidades, entre as quais Olavo
Bilac, os oficiais da canhoneira portuguesa “Pátria”, que foram
recebidos no Porto de Rio Grande; Coelho Neto, Sarmento Belres( aviador
português que em 1923 fez a travessia Lisboa-Macau) e muitos outros
artistas, políticos e figuras de projeção nacional
e internacional .
Entre as diversas melhorias que foram feitas ao longo dos anos, foram
introduzidas outras benfeitorias, como adega, padaria, fábrica
de gelo, depósito de madeira, fábrica de mosaico e tijolos,
forno e cal, com produção diária de 12.000 quilos.
Anexo a estas fábricas também havia carpintaria, tanoaria
e ferraria.
Havia também, uma esplêndida “quadra” de Tênis, para
que, nas horas de lazer, os funcionários desses escritórios
cultivassem este belo esporte.
- SOCIEDADE PORTUGUESA DE BENEFICÊNCIA
O prédio da Sociedade Portuguesa de Beneficência, que abriga
hoje o Museu Dom Diogo de Souza, erguido para ser um hospital, foi inaugurado
em 27 de novembro de 1878.
“É um suntuoso edifício que se assemelha, em seu frontal,
com o Palácio de Queluz, em Portugal, lugar onde nasceu e morreu
Dom Pedro I . O frontão, que coroa a parte central do frontispício,
tem o escudo português barroco e as colunas pertencentes à
Ordem Coríntia. O detalhe da coluna do portão de acesso
às escadarias reproduz a concha barroca, e as “belas” do coroamento
têm a forma de “estante de coro”. O balaustre de escadaria obedece
à Ordem Coríntia e no começo do patamar “as belas”
são em copas.
As instituições assistenciais, devido as dificuldades
que enfrentavam durante sua construção, tinham muitas
vezes suas características arquitetônicas alteradas, pois
a obra iniciava dentro de um padrão estético e acabava
sendo concluída em outro estilo. É o caso deste prédio,
que apresenta traços de uma arquitetura colonial, observada nas
janelas de guilhotina com caixilhos de madeira e pinázios que
delimitam pequenos espaços preenchidos com vidros, diferente
das demais partes da fachada que são clássicas, nas colunas
de capitel compósito; nas conchas que ornamentam a parte superior
das janelas, e barrocas, nos corucheis que coroam os pináculos
do portão de entrada. Sendo assim, essas dificuldades financeiras
contribuem para esta estética eclética”.
- QUARTEL GENERAL
O projeto do prédio, construído entre 1918 e 1922, é
do 1º tenente Dilermando de Assis, casado com Ana de Assis ( ex.
mulher de Euclides da Cunha, morto por Dilermando ). Dilermando residiu
em Bagé, durante alguns anos, e segundo registros, gostava de
abrir a casa para festas e saraus. Construiu vários prédios
em Bagé.
- ANTIGA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE BAGÉ
O prédio foi inaugurado em 2 de dezembro de 1884, por ocasião
da inauguração da Linha Férrea Bagé - Rio
Grande. Em 14 de outubro de 1924, um incêndio destruiu completamente
o prédio. No local, sessenta dias depois, foi iniciada a reconstrução
da nova Estação Ferroviária, que cumpriu sua missão
até mais da metade do século 20.
Na
década de 70, quando os trilhos saíram do centro da cidade,
a Estação passou a funcionar em Santa Thereza. Desde o
início dos anos 80, abriga o Centro Administrativo da Prefeitura
de Bagé.
Quanto
ao modelo arquitetônico há duas versões: uma que
seria réplica de uma casa existente em Bolonha, na Itália,
e outra que seria uma réplica de uma casa existente em Paris,
próximo ao Magazine " Printemps" ( nas imediações
da estação de Metrô - Porte Maillot) que inclusive
tem as mesmas duas estátuas de cachorros.
- CASA VERMELHA
Situada à rua 7 de setembro esquina General Netto, foi fundada
em 1902, pela firma Affonso Garrastazú & Cia, da qual fazia
parte o Sr. Alcebíades Gontan, que a partir de 1915, passou a
ser o único proprietário. Era uma das casas de negócios,
de maior bom gosto e luxo da época. As roupas vinham diretamente
da Europa. Havia artigos para homens, mulheres e crianças, perfumarias,
calçados, miudezas, além de secos e molhados. Sua fama
acompanhou gerações.
- PALACETE "PEDRINHO OSÓRIO"
Datado do início do século 20, pelo médico Pedro
Osório, o prédio foi construído em estilo neoclássico,
guarnecido de mármore, vitrais e ferro. Hoje abriga a Secretaria
Municipal de Cultura.
ATRATIVOS CULTURAIS
Fazem
parte da história e cultura da cidade, as seguintes referências:
- MUSEU DOM DIOGO DE SOUZA
- IGREJA MATRIZ SÃO SEBASTIÃO
- INSTITUTO MUNICIPAL DE BELA ARTES
- BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL
- CASA DE CULTURA PEDRO WAYNE
- MUSEU DA GRAVURA BRASILEIRA
- FORTE DE SANTA TECLA
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